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Pandemia pode deixar de herança novas formas de financiamento da saúde

O novo coronavírus (Covid-19) atingiu os países com um choque duplo: tanto sanitário quanto econômico. Especialmente em nações de baixa e média renda, a política enfrenta desafios sem precedentes no financiamento da saúde. Muitos sistemas foram sobrecarregados, outros, de ordem não prioritária, viram suas receitas despencarem.

A orientação da OMS agora para as políticas enfoca o fortalecimento da resiliência do sistema, a segurança e a cobertura universal. O pensamento da organização se concentra em aumentar as receitas adequadas, organizando-as a fim de maximizar a divisão de riscos por toda a população e gastando esses fundos de maneira melhorar a saúde disponível para todos os cidadãos.

Ou seja, o foco para lidar com os acontecimentos atuais é o fortalecimento dos serviços de linha de frente como resposta à pandemia. Mas, dentro dessas estratégias, há claras oportunidades e, mais ainda, necessidades de ofertar saúde de novas formas. Consequentemente, também de financiá-la.

Crise na saúde suplementar

O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) divulgou um balanço que apontou queda no número de clientes de planos de saúde. Segundo os dados, 254,545 mil consumidores de operadoras de saúde suplementar deixaram os planos entre abril e julho deste ano. A redução, de 0,5%, é explicada como decorrência da pandemia. O segmento tem agora 46.758.762 beneficiários, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e as previsões apontam para a saída de mais beneficiários do setor até o final do ano.

O comportamento do setor daqui para frente depende dos rumos que a Covid-19 encaminhar o país. Da mesma forma, do comportamento das pessoas e das ações dos poderes público e privado. No Brasil, o mercado de planos de saúde está diretamente atrelado a taxa de empregos formais, uma vez que a maioria dos planos são coletivos empresariais, ou seja, fornecidos pelas empresas aos seus colaboradores.

Com o aumento do desemprego e a redução de renda das famílias, consequentemente os beneficiários não podem manter planos individuais e familiares ou mesmo coletivos. É, portanto, crucial adotar políticas que aumentem a resiliência no financiamento da saúde, ou seja, sua capacidade de absorver e responder aos choques imprevisíveis nos gastos e na geração de receitas. Bem como a capacidade de financiar estratégias de longo prazo, que se adequem as novidades trazidas pelo maior uso das tecnologias.

Impacto das tecnologias no financiamento da saúde

Os sistemas de saúde enfrentarão uma demanda acumulada por serviços não essenciais adiados – de visitas preventivas a cirurgias – levantando questões de financiamento e equidade. É importante ter consciência que o financiamento da saúde após a pandemia, não deve retornar ao estado anterior à crise. Os países têm a oportunidade de sair desse problema com um financiamento mais adequado para o futuro.

Segundo a OMS, mais de 800 milhões de pessoas (quase 12% da população mundial) gastam, pelo menos, 10% dos seus orçamentos familiares em cuidados de saúde. Diante dessa realidade, todos os Estados membros das Nações Unidas concordaram em tentar atingir a cobertura universal, até 2030, como parte dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Nesse cenário, algumas ações implementadas como medidas de emergência durante a resposta à pandemia, estão se consolidando como uma oportunidade de acesso e financiamento da saúde. Os exemplos incluem novos modos de colaboração público-privada, implantação acelerada de telemedicina, plataformas digitais de serviços para saúde, empresas de delivery e uso de inteligência artificial para geração de valor. Os países precisam avançar e inovar nesses novos modelos.

Ao demonstrar a importância do setor, a pandemia criou visibilidade política e apoio público para melhorias significativas no financiamento da saúde. Isso pode ser aproveitado para impulsionar reformas ambiciosas e há muito necessárias que aumentem a resiliência e a sustentabilidade desse mercado.

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Fonte: ,,Pandemia provocou saída de 254,5 mil usuários de planos de saúde.