Post Cover Image

Conheça os modelos de remuneração em saúde

Com o envelhecimento da população, o aumento da expectativa de vida, o crescimento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e a incorporação de novas tecnologias, as discussões acerca dos modelos de remuneração na saúde se maximizam.

Esse é um tema que repercute diretamente na sustentabilidade e eficiência das instituições do setor. Por isso, repensar sua organização é mais do que trazer inovação em saúde, tornou-se vital, principalmente sobre a lupa da nova realidade econômica que unidades e operadoras da saúde suplementar tem vivenciado e vão vivenciar no pós-coronavírus.

Panorama brasileiro

No Brasil, o modelo de remuneração predominante ainda é o pagamento por serviço (fee for service), caracterizado pelo estímulo à competição por usuários e remuneração por quantidade de serviços produzidos. Apesar da ampla aplicação, esta estrutura pode induzir a realização de mais procedimentos do que necessário, em prol dos rendimentos. Além de não promover uma preocupação adequada com a qualidade prestada.

No outro extremo, o país também já efetuou tratativas com o modelo de captação (Caption), porém sem resultados práticos. Este sistema é o que estabelece um valor fixo por paciente (per capita) para o fornecimento de serviços previamente contratados, para uma população e período definidos. Costuma gerar atritos por possibilitar recebimentos independe da realização do atendimento e por demandas reprimidas, caso o prestador mantenha uma estrutura menor do que a necessária.

A tendência é que ambas as formas sejam substituídas por novas alternativas. Entretanto, não basta mudar os modelos de remuneração sem mudar junto o modelo assistencial e vice-versa. São conceitos interdependentes, que caminham juntos e se reforçam mutuamente.

Da mesma forma, é essencial lembrar que qualquer opção que se escolha precisa ser baseada em um modelo ganha-ganha, onde todos do ecossistema da saúde suplementar serão beneficiados: pacientes, profissionais, prestadores e operadoras de planos.

Tipos de modelos de remuneração

O importante na hora de escolher um modelo de remuneração em saúde, é que ele seja adequado ao perfil do tipo de assistência prestada e ao objetivo que se deseja atingir. Não existem fórmulas mágicas, apenas bom senso.

Os modelos de remuneração podem ser vistos, assim, como uma régua de risco. Se de um lado há o fee for service, com o “risco” todo no pagador, e no outro há o captation, com o “risco” no prestador, no meio estão as formas de compartilhar igualmente esse risco. Mas, quais são eles? Conheça algumas:

Assalariamento: é o pagamento clássico, efetuado como contraprestação de serviços prestados com base em um número de horas. Sua maior estabilidade e menor riscos ao profissional, incentiva consultas mais demoradas e completas. Também é um sistema que dá espaço para os cuidados preventivos. Contudo, seu foco acaba por ser os custos, o que pode impactar a produtividade e o nível de entrega de serviços.

Orçamento Global: na atenção hospitalar, principalmente no setor público, vem sendo utilizado ajustado por desempenho (qualitativo e quantitativo) ou por pagamento prospectivo por procedimento (DRG). Ou seja, em geral, não é um modelo de remuneração implementado sozinho. O principal motivo é evitar algumas das desvantagens apresentadas por ele, como o potencial incentivo à subutilização dos serviços e à seleção adversa de risco.

Pagamentos em pacotes para melhoria dos cuidados em saúde (Bundled Payments for Care Improvement): neste modelo um valor único é estabelecido para todos os serviços prestados em um ciclo de tratamento e os prestadores têm a responsabilidade pela condição de saúde. Nele, os cuidados coordenados são melhor empregados e a um menor custo. No entanto, é exigido que o prestador acolha os riscos financeiros, bem como os de possíveis complicações que poderiam ter sido evitadas. É denominada “Bundled” porque permite o pagamento para diferentes profissionais, “agrupados” em uma única remessa, o que pressupõe a existência de uma entidade responsável por gerenciá-los.

Shared Savings Program: é o modelo no qual os prestadores continuam a ser pagos em um sistema Fee For Service, mas recebem um bônus ou penalidade se o total de gastos do pagador for menor ou maior que o valor pré-calculado. Assim, o bônus ou penalidade é proporcional à diferença entre o projetado e o gasto real.

Pagamento por Perfomance: como o próprio nome indica, é o modelo de remuneração que paga conforme a performance, desempenho ou resultado. Com o foco na qualidade do cuidado e o desempenho do prestador, ele funciona como uma base. Logo, pode ser associado a outros modelos. A mensuração das metas depende de informação e de um bom indicador, para evitar se tornar uma métrica punitiva.

Principais desafio para a inovação dos modelos de remuneração

Os desafios para a implementação de novos modelos de remuneração perpassam a resistência dos prestadores de serviços, até os riscos da implementação sem a devida organização.

Para mais eficiência e qualidade, a inovação em saúde neste tema necessita partir da informação e capacitação. Quando os profissionais entendem as mudanças e são convidados a fazer parte delas, pula-se a resistência, indo direto para a cooperação e qualquer novidade funciona muito melhor dessa forma.

Além disso, é cabível a estruturação eficiente e bem organizada de um sistema de gestão dos serviços de saúde, que traga bons indicadores para um acompanhamento completo. Por mais que as mudanças necessárias assustem e demandem uma confiança inicial no desconhecido, podem significar sucesso na redução de custos e nas melhorias empregadas na qualidade do serviço oferecido.

A Designing Saúde, oferece consultoria especializada e pode ajudar as instituições a entender as demandas do mercado e onde cada modelo de remuneração é melhor aplicado. Acesse ,,www.designingsaude.com e saiba mais.

Fonte: ,,Guia para Implementação de Modelos de Remuneração baseados em valor – ANS.